sábado, 25 de março de 2017

Especial Setusa (Parte I)

Os serviços de transportes coletivos em qualquer cidade brasileira são uma concessão dada pela prefeitura a empresas particulares, em alguns casos a própria prefeitura explora determinadas linhas, administrando as companhias municipais de ônibus. É o que aconteceu em São Paulo e em Recife. 

Por exemplo em João Pessoa, o figurino nacional foi mantido por vários anos, com a particularidade de ocorrências de abusos em relação ao predomínio, com a ocupação dos cargos chaves no sindicato da classe, e até sobre o poder publico estadual. 

A população de João Pessoa já havia chegado até a se acostumar com os frequentes aumentos abusivos nos preços das passagens dos coletivos, rotineiramente autorizados pela STP - (superintendência dos transportes públicos "1988"), órgão da prefeitura que reunia representantes de alguns segmentos da sociedade e que estabelece as tarifas com base numa planilha de custos nunca contestada pelo poder concedente. Aos usuários cabia somente aceitar novos preços, enquanto os serviços propriamente ditos continuavam sofrendo um processo cada vez mais acentuado de desgaste, fato comprovado nas intermináveis filas de pontos de ônibus na precariedade de boa parte dos veículos em circulação. 

O governador Tarcisio Burity vendo essa situação, preocupou-se com o mau funcionamento das linhas de transportes coletivos das empresas particulares, e assim atentando para as reinvindicações da população, que estava revoltada com os aumentos sucessivos e excessivos das tarifas de ônibus. Esse quadro iria sofrer uma alteração radical, em meados de Setembro de 1988, quando o preço das passagens subia de Cz$ 36,00 para Cz$ 44,00, literalmente de noite para o dia, causando a revolta da população, manifestada num quebra quebra de ônibus que refletou em João Pessoa, cenas de ruas arquivadas na memória dos protestos estudantis dos anos 60. 

Desnorteados com a reação popular, os empresários mandaram recolher suas frotas, e ameaçaram só devolve-las a população, e com tarifas majoradas, quando tivessem garantias para o seu patrimônio particular, não sabendo o que os esperavam. Em seu gabinete no Palácio da Redenção o Governador Tarcísio Burity solidarizou-se com o povo, sensibilizou-se com os apêlos da classe trabalhadora pobre, na sua indignação diante do aumento das passagens, resolveu dar um basta na situação e atravéz de um golpe de ação fantástica, deu o troco aos empresários em linguagem contundente. veja palavras do Governador Tarcisio Burity: "o povo tem razão, pois esse aumento é extorsivo, e o srs. empresários tem um prazo de 24 para colocar os ônibus nas ruas, e com tarifas congeladas, se não as empresas serão intervidas". 

Foi uma manobra fulminante, mas Burity ainda passaria uma marcha de força: no mesmo ato uma entrevista coletiva, convocada minutos antes - ele iniciou a criação da Setusa, adquiriu para João Pessoa uma frota de ônibus novíssima, administrando esse patrimônio que por sua decisão recebeu o slogan: "Decisão do governo e patrimônio do povo" uma empresa estatal de transportes coletivos, destinada a melhorar o atendimento da população e a regular o sistema tarifário desses serviços. Os empresários deram marcha a ré e descobriram que já não tinham o poderio de outrora, foi com essa decisão que nasceu um novo patrimônio do povo. 

Fonte: O Sol / Fotos: Arquivo Ônibus da Paraíba

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